quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O copo meio cheio


O commuting de hoje foi diferente do habitual. Em vez de pedalar de Algés até Campolide, tive como destino Sacavém, onde passei o dia em formação.
O trajecto, mais longo que o habitual, deu-me oportunidade para experimentar a nova ciclovia que liga Santa Apolónia ao Parque das Nações.
Podia então fazer uma posta crítica, apontando os vários erros desta infraestrutura, mas depois de  percorrer a "ciclovia" entre Belém e o Cais do Sodré, que em vários troços é uma autêntica aberração, a coisa nem pareceu assim tão má.
As falhas estão lá, mas hoje pouco me importaram! Preferi ver o copo meio cheio. Não foi difícil, porque é simplesmente delicioso começar o dia rolando na minha fixed gear tendo o Tejo como cenário e ouvindo o crepitar das folhas caídas debaixo das rodas. Quando as pernas pediam descanso, a batavus impunha o seu ritmo... e assim rolei, rolei e rolei durante 23km tendo o frio e o nevoeiro por companhia. No final do dia, mais 23km! Desta vez o vento estava do contra, mas eu estava em modo "copo meio cheio", e quando assim acontece tudo é mais simples!
Venham mais dias assim! :)

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

As minhas biclas

"Mas afinal quantas bicicletas tens?"
Esta é uma pergunta que alguns amigos me fazem repetidamente, num misto de espanto e de gozo, de cada vez que me vêm rolar numa bicla diferente.
Nunca sei ao certo quantas são, e mais do que os números cada uma delas tem uma história e uma razão para ter sido escolhida. Resolvi então fazer uma apresentação de cada uma delas. 
Comecemos. Por ordem cronológica de aquisição:

1 - Scott Peak - comprada em 1997



É  a bicicleta que tenho há mais tempo. Com ela descobri o BTT juntamente com alguns amigos, sobretudo em passeios domingueiros na Serra de Sintra. Já rolou em muitos outros trilhos do país, e levou-me numa viagem a solo pela Costa Vicentina. Já esteve equipada com uma suspensão mas por avaria desta, que coincidiu com o inicio de um período de utilização urbana, voltou a vestir a forqueta de origem. Entretanto reformou-se desse serviço utilitário, com a aquisição de outra bicla, e depois de lhe calçar uns pneus adequados, voltou à sua função original de btt. Sim, faço btt com uma rígida sem suspensão, mas o quadro é em aço cromoly e uso pneus largos com pouca pressão. Sweet ;) Os muitos km´s percorridos com esta bicicleta fizeram-me ganhar por ela um certo valor afectivo. Há uma história entre nós. É também por isso que tenho tanto gozo em rolar com ela. É uma bicla com alma!! Não a trocava por outra btt -ultima-versão-xpto-racing-high-tech-ultra-modernaça. Manias...

2 - Masil Altec2, de 2001


Andava então entusiasmado com as imagens do Tour de France e do Giro de Itália. Nunca tinha pegado numa estradeira mas estava decidido em experimentar a roda fina. A escolha recaiu sobre uma Masil, construída à minha medida e com direito a selecção detalhada dos componentes e pintura. Sendo na altura fã da equipa Recer-Boavista, optei por uma pintura tipo réplica, mas sem os logos roxos e dissonantes da "Recer". É engraçado olhar para os meus critérios desse tempo. Hoje a escolha seria bem diferente... Iria preferir uma bicicleta menos racing, no comportamento e na estética... Mas esta Masil foi escolhida e desejada assim: por um jovem fã, cheio de vontade de rolar no asfalto, imaginando-se numa etapa da volta. :)  E foi assim que a usei muitas vezes. Desfrutando da sua velocidade e reacções rápidas, embalado também pela minha imaginação. O quadro é em alumínio, a forqueta em carbono e a transmissão está entregue a um grupo Campagnollo Mirage / Veloce e calça uns anorécticos pneus 700x20c. Entretanto troquei-lhe o avanço de origem (longo) por outro curto e com maior elevação para conseguir uma posição um pouco mais descontraída e usa-la em passeios de maior distância. Uma bicicleta construída sob as nossas especificações e que nos acompanhou em tantos anos e km´s também se torna especial. Por isso, tal como a Scott, esta também é para ficar!

3 - B´Twin Riverside 3 (2010)


Antes da compra desta Riverside rolava na cidade com a scott peak (ver acima). A btt até cumpria bem o seu serviço mas vários componentes já pediam reforma e tinha saudades de a usar nos trilhos. Por isso, já andava de olho numa máquina que fosse mais adequada às minhas deslocações diárias. Quando a decathlon colocou este modelo em saldo (-50%) para lançar a "nova coleção" que a vinha substituir, a decisão foi fácil... Uma bicicleta roda 700, quadro com geometria muito confortável e capaz de levar muita carga, para-lamas sks, dínamo no cubo, porta-cargas... Tudo o que precisava para devolver a Scott Peak à função original e ter uma verdadeira utilitária.
E para que serve esta bicicleta? Bom... para tudo!! É uma excelente bicicleta utilitária, para as deslocações diárias, para ir às compras, para dar um passeio domingueiro ou para ir fazer uma viagem em autonomia por estrada e alguns trilhos, com muita tralha atrás. Uma bicicleta de trekking é assim um misto entre uma de estrada e uma btt. Alia o melhor de dois mundos.
É pesadona mas capaz de superar qualquer subida graças à boa amplitude da transmissão. Depois de embalada é uma delicia senti-la a galgar km´s. O peso, as rodas grandes e a longa distância entre eixos conferem-lhe também uma estabilidade impressionante. Grandes acelerações não fazem o seu estilo, mas se a intenção for rolar descontraidamente, o prazer é garantido!



4 - Giant Terrago - modelo de 1993 (comprada em 2011)

Esta veio parar cá a casa por mero acaso. Ou melhor, por sorte. Muita sorte! É uma btt old-school. Do meu tempo, portanto. :) As tubagens elegantes são em aço cromoly, como eu gosto, e à minha medida, o que também não é comum! Está equipada com um jurássico grupo shimano Hexage-LX e todos os componentes estão em perfeito estado de funcionamento, apenas o quadro apresenta algumas esfoladelas na pintura. Por outras palavras, tem patine. :).
Tudo isto por um preço irrisório de 50€. Ainda vendi os pneus estradistas que trazia montados por isso a aquisição desta fantástica bicicleta ficou-se pelos 30€! Ah, e muito importante, apesar do preço, não era uma bicicleta roubada! Eu conhecia o antigo dono! Jamais compraria uma bicicleta se suspeitasse que tivesse sido roubada...
Está estacionada em casa de familiares, em Alenquer, onde por vezes vou passar os fins-de-semana. Tenho-a usado por isso para fazer btt em passeios domingueiros naquela região.
O feeling de condução que o quadro propicia é extremamente agradável. A bicicleta é muito confortável e tem um comportamento muito "calmo". Nunca pesei esta bicicleta mas é claramente muito mais leve que a scott peak, que pesa 13,3kg. Do seu comportamento apenas sobressai mais negativamente a falta de potencia dos travões em cantilever. Mas é uma questão de habituação. Afinal de contas, é uma clássica! ;)

5 - Batavus - montada em 2013



Esta é uma bicicleta completamente diferente de todas as outras que tenho!
Foi montada na Rcicla a partir de um quadro Batavus NOS ("new old stock"). O quadro, para além de muito bonito é em aço reynolds 531 e é muito leve! A bicicleta pesa apenas 9,3kg o que é um valor excelente considerando também que muitos dos seus componentes não são propriamente "pesos pluma". É um quadro de uma estradeira e talvez um dia eu lhe dê essa roupagem, mas por enquanto é uma bicicleta de carreto preso (fixed gear). Basicamente, uma fixed gear é uma bicicleta sem o mecanismo de "roda livre". Ou seja, o carreto está preso à roda obrigando os pedais a rodarem sempre que a roda está em movimento. A condução desta bicicleta é assim radicalmente diferente!! É uma bicicleta exigente mas simultâneamente muito fixe de conduzir. Parece ter vontade própria e é necessária alguma habituação para controlarmos os seus impetos, sobretudo para a dominar nas descidas... Nas fixed gears a ligação homem-máquina é total. O pedalar constante torna-se inebriante e viciante. Conduzimos com os sentidos ao rubro. Em torno das fixed gear existe uma sub-cultura própria e há quem use exclusivamente este tipo de bicicletas. Não é o meu caso. Gosto muito desta bicicleta pelas sensações que transmite na sua condução e pela sua estética espartana e mecânica simples e eficaz. Porém, não é uma bicicleta que goste de usar todos os dias... Uso-a para transporte ou lazer mas tenho que estar "para aí virado". Ou seja, o meu estado de espirito tem que estar em sintonia como o "feitio" muito particular desta bicicleta. Quando isso acontece, rolar nela é simplesmente brutal!!! Mas se quiser um passeio mais relaxado, esta batavus simplesmente não serve...


6 - Cresta (?)


Esta bicicleta foi-me oferecida por um vizinho que a tinha na sua arrecadação parada há anos... :)
Está comigo desde 2013 mas não sei a idade dela. Presumo que a sua origem se situe algures entre o final da década de 70 e princípios de 80...  Não tem marca gravada no quadro, mas fiz umas pesquisas na net e conclui tratar-se de uma "Cresta", uma marca Suíça.
Depois de a acolher cá em casa, dei-lhe alguns mimos para a colocar de volta à estrada. Dei umas voltinhas com ela e gostei do conforto proporcionado pelo aço e pela geometria relaxada do quadro e forqueta. Passou o verão emprestada a amigos e depois foi desmontada para uma revisão mecânica mais profunda. Tem-me dado imenso gozo essas incursões na mecânica. Qualquer dia coloco mais informações sobre as modificações que estou a fazer nesta bicla... Para já existe apenas um monte de peças espalhadas... :)


7 - Quipplan Q10 City (2013)
 

A Quipplan é o meu principal meio de transporte. É uma bicicleta dobrável com assistência eléctrica. É extremamente ágil, prática e surpreendentemente estável. Com ela, as minhas deslocações de bicicleta aumentaram exponencialmente, ficando assim a mota relegada para 2º plano (o carro já há muito que passou para 3º plano...).
Para conhecerem melhor esta maravilhosa máquina podem ver este post aqui do blog.


E pronto, está apresentada a frota. :) Parece que são 7 bicicletas. São demasiadas? Bom, a verdade é que dou uso a elas todas!!! E por vezes ainda "roubo" a bicicleta da minha companheira, uma Electra Townie, para uns passeios relaxados à beira rio. Porquê? Porque a townie tem uma geometria muito particular que convida a deslizar com ela tranquilamente e a viver a vida mais devagar... Por isso, posso num dia usa-la para ir para o trabalho e no dia seguinte optar pelo extremo oposto - a batavus.

Numa perspectiva meramente racional, para além do número de km´s percorridos justificar por si a existência de todas elas, o facto de serem veículos com pouca (nalguns casos nenhuma) desvalorização e sem outras despesas associadas, como no caso de um carro, torna tudo mais compreensivel.
Mas na verdade, apesar deste número elevado de bicicletas ser facilmente justificado, a melhor razão para as ter é sobretudo pelas sensações que elas propiciam: Diferentes mas todas elas maravilhosas! :)







domingo, 17 de novembro de 2013

As estradas também podiam ser assim!

Fechadas nos seus automóveis, as pessoas tendem a alterar o seu comportamento, tornando-se mais agressivas e mais egoístas. Mas não tem que ser assim! Apesar do stress induzido pelo trânsito, podemos fazer prevalecer a nossa humanidade. Este filme é disso um bom exemplo. São gestos simples, bonitos mas infelizmente tão raros. Para ver, e meditar:


sábado, 16 de novembro de 2013

Uma grande aventura!

O melhor passeio do mundo não é necessariamente aquele que nos leva aos locais mais remotos, aos trilhos mais alucinantes ou até à paisagem mais arrebatadora. Pode até nem ser preciso pedalar dias a fio, nem fazer muitos km´s. Com a companhia certa, um pequeno passeio pode tornar-se numa grande e inesquecível aventura! Hoje foi assim! :)



O pequeno ciclista é o Guilherme, o meu filhote, que tem agora 4 anos e meio. Ele é que insistiu para eu levar também a minha bicicleta. "Assim é mais giro papá!". E tinha razão! Foi delicioso! :)

domingo, 10 de novembro de 2013

Pequenas modificações na Quipplan

Fiz algumas modificações na Quipplan. Coisas simples mas que se revelam uteís e capazes de tornar a utilização da bicla mais agradável. Deixo aqui uma descrição para o caso de interessar a outros utilizadores. As modificações foram as seguintes:

1 - A utilização de um velcro para manter a bicicleta dobrada, revelou-se desde cedo um sistema pouco prático e nada eficaz. Resolvi por isso instalar o sistema de íman da Dahon, aproveitando esses encaixes que já tinha usado na minha antiga bicicleta dobrável (uma B´twin Hopton 5). Como a Quipplan não tem as furações para esses elementos de encaixe, usei os apoios do guarda-lamas e umas pequenas extensões metálicas, que depois de limadas para ficarem com o diâmetro certo, permitem colocar cada uma das duas peças no local exacto. Uma transformação simples que torna o processo de dobrar/desdobrar mais rápido, e mais eficaz.
E porque uma imagem pode ser mais esclarecedora que muitas palavras, aqui ficam as fotos:


Com a bicicleta assim dobrada consigo empurra-la como se fosse um carrinho, inclinando-a um pouco e empurrando-a pelo selim (que mantenho um pouco mais alto). Quando usava o sistema antigo, ao aplicar o velcro nas rodas não conseguia depois empurra-la desta forma e para aplicar o velcro noutras partes (no garfo por exemplo), como podem ver pela imagem não havia muito espaço e tornava-se complicado garantir que ele ficava com a tensão suficiente para a bicicleta não abrir sozinha.



2 - Após os primeiros km´s nesta bicicleta comecei a ter algumas dores na região lombar, devido à posição de condução. Este desconforto pode não surgir noutros utilizadores dado que depende da altura de cada um e da sua flexibilidade.
O problema foi resolvido trocando a coluna de direcção original por outra maior (ajustável).
Esta modificação aumentou muito o conforto da bicicleta e não voltei a ter as mesmas dores.
Conduzir com um guiador mais alto transmite logo uma sensação de maior descontracção, causando em contrapartida alguma perda na rentabilidade da pedalada. Se me apetecer rolar mais rápido, numa posição mais aerodinâmica, posso muito facilmente baixar um pouco a direcção.
Infelizmente, o guiador telescópico não tem avanço, o que reduz um pouco a estabilidade da direcção. Mas isso facilmente fica esquecido depois de alguns km´s de habituação. Se pedalar em pé, de forma mais vigorosa, sinto também um pouco de flexão na coluna de direcção, o que não acontecia com a de origem. Mas na condução habitual que faço nesta bicicleta não chego a sentir essa perda de rigidez, por isso esta modificação valeu muito a pena!


3 - Instalei uns extensor de guiador que acho muito ergonómicos e uns pedais de plataforma  que apesar de não serem dobráveis são mais aderentes que os originais.

4 - Coloquei também uma luz extra à frente e atrás, daquelas de leds, porque as luzes de origem, embora eficazes dependem da bateria que também alimenta o motor e não é bom ficar a meio do trajecto sem luzes... Estas luzes não servem para iluminar o caminho, mas pelo menos ajudam a tornar-me visível caso fique sem bateria.  Juntei um kit de ferramentas com câmara de ar, desmontas, chaves várias et voilá. Está pronta!


Um dia destes vou também fazer uns extensores para o guarda-lamas. Sem eles, a protecção que oferecem não é completa. Qualquer coisa como isto:

Fotos emprestadas daqui


Qualquer duvida sobre estas pequenas modificações, perguntem! 

domingo, 3 de novembro de 2013

Festa da Bicicleta

Hoje foi o dia da Festa da Bicicleta, uma iniciativa do Movimento de Transição de Linda-a-Velha.


Dificilmente poderíamos imaginar que ali, num espaço outrora cinzento e semi-abandonado, iria florescer um jardim de ervas aromáticas, uma ciclo-oficina comunitária e até uma deliciosa "casa da árvore" para os mais pequenos brincarem. Mas este espaço encantador é apenas um pequeno reflexo do excelente trabalho que esta comunidade vem fazendo! Para saberem mais, cliquem aqui.

A construção de uma sociedade mais feliz, sustentável e resiliente é um dos objectivos dos movimentos de transição. Sendo a bicicleta um veículo perfeitamente enquadrado nesse espírito, não espanta que a mesma assuma um papel muito presente nestas iniciativas.

Nesta "Festa da Bicicleta" conheci um casal que estava a fazer a manutenção das suas biclas que estão a usar numa viagem à volta do mundo. Saíram da Suíça, há cerca de 2 anos, e pedalaram para leste, passando pela Roménia, Bulgária, Grécia, Turquia, Irão, Índia, E.U.A., Canadá... Inspirador...

Estava lá também um amolador, com a sua bicicleta, que também despertou o meu interesse. É bom saber que este oficio ainda não morreu!



O ponto alto, foi o espectáculo Kamishibai, uma forma de narração oral, originária do Japão, aqui apresentada por dois palhaços ingleses, que se deslocam numa bicicleta long-tail, que para além de ser o palco para a apresentação dos seus contos, também se transforma num sistema de som com energia eléctrica gerada a pedais. Nice! :)



A alegria dos palhaços foi contagiante. Adorei a forma criativa como usavam pequenos objectos e desenhos para conduzir a nossa imaginação. Um exemplo muito giro foi o momento da história em que, para simularem que estavam a soldar uma pequena bicicleta partida, usaram como ferro de soldar um daqueles pauzinhos de fogo-de-artificio, com que habitualmente se enfeitam os bolos de aniversário... :)


Apesar do frio outonal que já espreitava, o ambiente era caloroso e amigável. As castanhas já estavam a ficar prontinhas mas outros compromissos levaram-me a deixar a festa mais cedo... Saí por isso com pena de não poder ficar até ao fim, mas contente com a tarde bem passada e inspirado pelos muitos exemplos de como podemos fazer tanto, com (aparentemente) tão pouco.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

A tradição já não é o que era?

Desta é que eu não estava à espera!
Já aconteceu há alguns meses, mas só agora soube da novidade:  a Brooks criou um selim novo! Não é algo que aconteça com frequência, mas desta vez a notícia é ainda mais entusiasmante. Em quase 150 anos de história desta marca, de grande tradição e reputação, este é o primeiro selim Brooks que não é feito de pele. Em alternativa, o Cambium tem na sua composição algodão, borracha, aço e uma pitadinha de alumínio.


O formato do Cambium parece muito semelhante ao clássico B17. O novo modelo pesa 415g. Menos 105g que o icónico B17.
Ao contrário dos selins em pele que precisam de algumas horas de uso para se moldarem ao seu utilizador e requerem alguma manutenção, esta nova criação promete conforto desde o primeiro km, sem outras complicações. E sem utilizar pele de animais!
A marca afirma que, como os outros modelos, é um selim construído para durar. 
Ou seja, mantiveram tudo o que é bom e eliminaram os defeitos. Se assim for, o preço é agora o único obstáculo para não ter um luxo destes numa das minhas biclas. 
A tradição pode já não ser o que era, mas talvez desta vez a evolução seja uma coisa boa.




terça-feira, 22 de outubro de 2013

O meu primeiro Brevet


Tinha pela frente uma sequência de convidativas curvas e contra curvas. Sempre a descer. O alcatrão lisinho, o tempo ameno e a Estrada Nacional 2 toda só para mim. À volta, um belo quadro outonal de montado alentejano.
Ali estava, sozinho, com a minha bicicelta Masil. Não era a bicicleta mais indicada para um brevet de 200km, por ser demasiado racing e desconfortável, mas para aquele troço era a companheira ideal.
De forma natural, as mãos deslizaram nos drop bars assumindo uma postura mais aerodinâmica. Umas pedaladas vigorosas e com elas a sensação de aceleração transmitida rápida e nervosamente. Depois, foi deixar-me levar embalado pela gravidade...yuuuuuuuuuuuupiiiii. 
Mas um passeio de 200km não é feito só de descidas divertidas...
Aquele dia teve muitos momentos distintos.
Começámos a pedalar em Vila Franca de Xira pelas 8h00, com os primeiros raios de luz e a típica neblina matinal. Até perto do Couço segui na companhia de outro randonneur.
Rodar com companhia é mais fácil porque beneficiamos de alguma protecção aerodinâmica e não é tão monótono.

Mas apesar disso eu gosto muito de rolar sozinho e como o meu ritmo estava mais lento que o do meu companheiro, fiz o resto do passeio a solo.
Pedalando sozinho vou mais próximo dos meus pensamentos e permito-me parar sempre que quero, para fazer uma foto, esticar as pernas, observar a paisagem, comer uma fruta ou simplesmente deitar-me um pouco na relva e ficar a olhar para as árvores a balançarem com o vento.
Com isto tudo, está-se mesmo a ver porque é que no fim do passeio tive que apertar o ritmo para não chegar depois do tempo limite previsto (13horas e 30minutos)...

Outros passeios ensinaram-me que é fundamental controlar a nossa motivação. Por isso, nunca alimentei a ideia de que faltava muito ou de que não seria capaz. Essa ideia é corrosiva e há que controlá-la antes que ela nos controle a nós!! Uma das técnicas é não pensar nos km´s todos que temos pela frente. É preferível viver apenas o instante, e continuar a pedalar. No limite, pensar em etapas: "agora é até Mora"; "agora até Vendas Novas"...
Mas houve um momento em que deliberadamente desafiei esta regra de sobrevivência. Algures na N2, quando tinha 100km pedalados, parei. Fiquei um bocado quieto a deixar-me inundar pelo silêncio e pela vastidão à minha volta. Visualizei a distância que tinha feito e o caminho que tinha pela frente. Senti-me pequenino, e soube bem. Estava ali, sozinho, com a minha bicicleta. Dependia de mim e tinha tudo o que precisava para percorrer a imensidão que me separava do destino. Estava confiante e foi com prazer que retomei as pedaladas. Lentas mas decididas. Não voltei a "brincar com o fogo". Voltei à técnica de pensar o passeio por pequenas etapas e ir curtindo o caminho. 
As últimas horas do dia não foram fáceis. O desconforto em cima da bicla era cada vez maior e o corpo já não respondia com a mesma energia.
A falta de treino fazia-se sentir. Nunca tinha feito tantos km´s de bicicleta e já não pegava na "estradeira" há meses... Ultimamente apenas tenho usado outras bicicletas para as deslocações diárias, o que é bom, mas para um passeio destes está longe de ser o ideal...
A reta do cabo foi por isso um desafio difícil de ultrapassar. Aqueles longos km´s finais pareciam simplesmente intermináveis...

Mas as dificuldades também fazem parte e o propósito delas é de serem superadas. E foi isso que aconteceu. Cheguei a VFX eram 21:10. Faltavam apenas 20min para o tempo limite. Tinha percorrido 224km, um pouco mais que o previsto por me ter enganado no caminho. A média foi de apenas 20km/h, sem contar com as paragens. Para trás ficara o percurso VFX - Coruche - Mora - Montemor o Novo - Vendas Novas - Pegões - VFX. Tinha conseguido completar o meu 1º Brevet Randonneur Mundiaux.
Estava exausto mas feliz.
Venha o próximo desafio!




Os Brevets Randonneur Mundiaux são eventos de ciclismo de longa distância, não competitivos e em autonomia. Em Portugal, estes eventos são possíveis graças a um grupo de randonneurs que de forma entusiasta e voluntária organiza estes brevets. O espírito de todos os participantes é descontraído e de grande camaradagem. Obrigado a todos os organizadores e participantes!

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Inspiração


Há filmes que nos marcam. Para mim, Roule Toujurs é um deles.

Trata-se de um filme lindíssimo e inspirador. Uma homenagem a Patrick Plaine, um Homem humilde, grande, forte e muito simples.
É deliciosa a descrição que ele faz dos seus momentos de felicidade por estar a roer uma bolachinha ao frio ou a ver cair uma folha. Ou a forma despreocupada e desorganizada como se equipa ou como prescinde de alguns "avanços tecnológicos"... A ver!
Aqui fica o link: http://vimeo.com/58201809